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Publicado em 11/11/2008
“Toda a Verdade Sobre a Transposição” desnuda os erros crassos da maléfica obra
Por César Gama (cesarggama@gmail.com)
O ex-governador, escritor e engenheiro João Alves Filho (DEM) lançou a 10 de novembro de 2008, na livraria Cultura no Conjunto Nacional, em São Paulo, o livro por ele organizado intitulado “Toda a Verdade Sobre a Transposição do Rio São Francisco”. A obra põe em xeque definitivo a viabilidade técnica, econômica e ecológica do projeto do governo federal de transposição do rio.
No mesmo dia ele fez o lançamento deste site, uma home page reunindo inúmeros especialistas de todo o país que estão à disposição dos internautas disponibilizando na internet informações que comprovam a inviabilidade do projeto governamental.
João Alves organizou o livro e escreveu parte dele, que tem prefácio do jurista Ives Gandra da Silva Martins, com a participação de nove outros renomados especialistas brasileiros nos temas semiárido nordestino e aproveitamento de recursos hídricos.
Dentre as informações expostas pelos técnicos que escrevem o livro, existem várias que fazem cair por terra o mito de que não existe água suficiente no semiárido nordestino brasileiro para abastecer as famílias de sertanejos que enfrentam dificuldades com as constantes secas. Uma delas é a constatação de que no subsolo do semiárido há um gigantesco mar de água doce – a maior reserva subterrânea exclusivamente brasileira, com água armazenada em volume maior do que aquele que o rio São Francisco despeja no oceano Atlântico – capaz de suprir as necessidades de abastecimento de água de toda a população da região, mas que só tem aproveitados insignificantes 4% do seu potencial.
Há também a desconcertante informação de que o Nordeste brasileiro tem hoje, além do gigantesco veio de águas subterrâneas descoberto recentemente, a maior reserva de água do mundo acumulada pelo homem sob a forma de açudes, cujo volume em sua maioria é consumido pelo sol através da evaporação ao invés de abastecer homens e animais, em função apenas da inexistência de adutoras, em grande parte de pequena extensão e baixo custo, que interligariam os açudes aos povoados, levando água às casas de milhão de sertanejos. Coincidentemente, segundo informa João Alves, 80% desses açudes se localizam nos quatro estados que seriam beneficiados pela transposição.
Na obra, o ex-governador sergipano, com o auxílio dos técnicos que escreveram o livro a 18 mãos, prova também definitivamente que a maior parte da água que será transportada pelo projeto de transposição do rio São Francisco servirá exclusivamente para grandes sistemas de irrigação agro-industriais, beneficiando grandes empresas, e não para o consumo humano.
Já no prefácio, o jurista Ives Gandra Martins denuncia que o projeto de transposição do governo fere sete princípios essenciais da Constituição brasileira: o do pacto federativo, o da razoabilidade, o da proporcionalidade, o da preservação ambiental, o da eficiência, o da moralidade e o da legalidade.
João Alves Filho lembra que o projeto afeta diretamente 37% da população brasileira, o equivalente a 63 milhões de habitantes, principalmente da região do semi-árido, e o acusa de ser um grave atentado ao meio ambiente e à população da região, podendo provocar o êxodo de gigantesca parcela das populações que vivem às margens da foz do São Francisco, diante da ameaça à sobrevivência do rio.



