Notícias
Publicado em 28/05/2009
Lançada a campanha ‘Povos Indígenas em Favor do Rio São Francisco e Contra a Transposição’
Bispo diz que transposição do São Francisco matará culturas locais
Por Ivy Farias (Agência Brasil)
A Comissão Pastoral da Terra e lideranças indígenas lançaram em São Paulo (06.06.09) a campanha Povos Indígenas em Favor do Rio São Francisco e Contra a Transposição.
Presente ao lançamento, o bispo de Barra (BA), dom Luís Flavio Cappio, que fez greve de fome em 2007 contra a transposição, afirmou que o projeto teria impactos ambientais, econômicos e também culturais. “O rio é importante para cultura brasileira, faz parte da identidade nacional. A transposição do rio matará as culturas locais, inclusive a dos índios”, disse.
Para Rubem Siqueira, da Articulação do São Francisco Vivo, os povos indígenas são os que mais têm a perder com a transposição do rio. Segundo ele, quatro tribos seriam diretamente afetadas. “Os defensores da transposição dizem que poderão dar novas terras aos índios, mas não é só o direito à terra que os índios estarão perdendo. Como eles vão recuperar as tradições milenares?”, questionou.
O historiador e pesquisador João Damasceno, um dos organizadores do Terno dos Temerosos*, manifestação cultural realizada há mais de 70 anos nas margens do Rio São Francisco, na cidade de Januárias (MG), argumentou que a transposição acabará com a festa e com outras manifestações culturais que as comunidades ribeirinhas preservam há anos.
“A discussão da transposição não está levando em consideração o aspecto cultural, a importância que o rio tem nas culturas locais”, afirmou.
Damasceno afirmou que o rio é tema de diversas canções, foi cenário de vários filmes e citado, inclusive, no romance de João Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas, entre outras obras. “Ele é o único rio genuinamente brasileiro, que atravessa cinco estados e é importantissímo para cultura brasileira. Com a transposição do rio, morre toda uma cultura popular”, ressaltou.
Com a campanha, as lideranças indígenas pretendem mobilizar a sociedade para o julgamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), de ações judiciais pendentes contra o projeto de transposição do Rio São Francisco, em especial a que trata de terras indígenas afetadas.



